A Vida Nos Mares: Oceano Antárctico
O Antárctico é o único oceano que não é limitado por terra, mas sim por outros oceanos - Atlântico, Índico e Pacífico. Ocupa uma área aproximada de 38.000.000 km2, pelo que é o segundo mais pequeno, a seguir ao oceano Árctico.
Um Continente Gelado
A Antárctida, situada na extremidade Sul do planeta, é completamente rodeada por este oceano. O continente, encontra-se na posição actual há cerca de 45 milhões de anos, constituindo um dos locais mais inóspitos do planeta.
Os ventos são gelados e atingem velocidades de 300 Km/h. A temperatura mais baixa registada nesta região foi de -89ºC, no continente, e de -60ºC junto à costa.
A Antárctida é um continente gelado e 98% do seu território está permanentemente coberto de gelo. Este facto faz com que a Antárctida seja o maior reservatório de água doce do planeta, com cerca de 70% do seu total.
Se todo o gelo deste continente derretesse, o nível do oceano global subiria mais de 60 m e a Antárctida elevar-se-ia entre 200 a 300 m.
Um Anel de Água
O padrão de correntes do Oceano Antárctico é complexo, sendo o único local onde estas dão a volta completa ao globo. A Corrente Circumpolar Antárctica desloca-se no sentido dos ponteiros do relógio, sobre acção dos fortes ventos de Oeste, com uma extensão de 21.000 Km. Embora a velocidade máxima desta corrente, à superfície, seja de apenas 540 m/h, devido ao facto de ser bastante profunda, transporta mais água que qualquer outra.
A quantidade de água transportada pela corrente Circumpolar Antárctica é 2.000 vezes superior àquela transportada pelo Rio Amazonas. A corrente Circumpolar Antárctica, devido aos padrões de vento e à força de Coriolis, provoca várias frentes que constituem verdadeiras fronteiras biogeográficas.
Nesta zona, conhecida antigamente por Convergência Antárctica, existem variações bruscas de temperatura da água, com zonas a Norte mais quentes que a Sul. Destacam-se, pela sua importância, a Convergência Subtropical e a Frente Polar Antárctica.
Por outro lado, junto à costa antárctica os ventos predominam de Este, ou seja, no sentido contrário aos ventos que sopram sobre o Oceano Antárctico. Este fenómeno provoca o afloramento de águas mais profundas e uma contínua ressuspensão de nutrientes. Conhecida por Zona de Divergência Antárctica, esta região costeira é uma das zonas mais produtivas do oceano.
Uma Pequena Riqueza
Nestas águas gélidas, em determinada altura do ano o plâncton. Concretamente os pequenos camarões (crustáceos) que alimentam populações de baleias, focas, peixes e aves marinhas, incluindo os pinguins - o krill.
A espécie Euphausia superba constitui a maior biomassa de uma só espécie em todo o planeta. Num metro cúbico de água (1.000 litros), podem existir 20 Kg de krill.
Uma baleia-azul pode consumir, durante o Verão (Dezembro a Março), 4 toneladas de krill por dia. A população de baleias-azuis neste oceano, antes da sua pesca pelo homem, consumia cerca de 190 milhões de toneladas por ano. A diminuição do número baleias, de 228.000 para 14.000 indivíduos, levou ao aumento de pinguins e focas, pois o krill tornou-se mais disponível para estes animais.
No caso da foca-caranguejeira, a população aumentou cerca de 10 vezes. Assim, a actual exploração de krill pelo homem, aliada ao buraco de ozono nesta região, pode trazer graves consequências para todo o ecossistema antárctico, com a diminuição dos efectivos das principais espécies e a impossibilidade de recuperação das baleias-azuis.
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