Fridtjof Nansen
O espírito aventureiro e o gosto pelo ar livre, desde sempre orientaram a vida de Fridtjof Nansen. Em 1888, com apenas 27 anos, o jovem zoólogo norueguês liderou uma expedição temerária com o objectivo de atravessar pela primeira vez a agreste Gronelândia.
Este feito revelou as suas extraordinárias capacidades como líder e cientista, merecendo-lhe o respeito e admiração de outros cientistas e exploradores em todo o mundo. Contudo, a travessia da Gronelândia apenas aguçou o desejo de Nansen se lançar numa campanha ainda mais arrojada: provar a existência da Corrente Transpolar.
O plano de Nansen era arriscado, mas simples. Para tal, construiu o Fram ("em frente"), um navio de forma arredondada, que evitava a compressão pelo gelo pois, quando comprimido lateralmente, deslizava para cima. Em 1893, navegou com os seus homens até à Sibéria, onde o Fram ficou preso no gelo de Inverno.
Ao longo de três anos de isolamento do mundo, Nansen esperava que o gelo que cobria o oceano Árctico rodasse sobre si mesmo, acompanhando a corrente Transpolar. A mudança de posição do Fram seria a prova disso.
Tal como previra, ao fim deste tempo, o navio já não se encontrava ao largo da Sibéria, mas sim na ilha de Spitsbergen. Durante os três anos em que derivaram no gelo, Nansen e a sua equipa recolheram, também, importantes dados científicos que aumentaram o conhecimento sobre o oceano Árctico e contribuiram para o desenvolvimento da oceanografia.
As duas conclusões mais importantes da viagem do Fram foram: a confirmação da existência da Corrente Transpolar, de que suspeitava desde os seus tempos de estudante e a descoberta de um oceano Árctico profundo - o facto de o gelo rodar com a Corrente Transpolar, era prova de que não estava fixo a terra.
Como cientista, Nansen criou e aperfeiçou métodos e instrumentos de estudo em oceanografia, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento desta nova ciência. Uma das suas invenções mais conhecidas e utilizadas é a Garrafa de Nansen, que permite recolher amostras de água do mar a várias profundidades.
Nansen sempre apoiou a cooperação internacional para o estudo dos oceanos e foi um dos fundadores do Conselho Internacional para o Estudo do Mar -ICES (International Council for the Exploration of the Sea).
Em 1922, foi laureado com o Prémio Nobel da Paz! Este prémio surgiu na sequência do seu trabalho com refugiados e prisioneiros da I Guerra Mundial, que permitiu salvar centenas de vidas.
Depois de uma vida invejável, em que parece ter feito tudo o que haveria para fazer, Nansen faleceu no recato da sua casa perto de Oslo, em 1930. A pedra no seu túmulo reflecte o quão universal e intemporal foi a vida que levou - nela, lê-se apenas "Fridtjof Nansen". Sinónimo de coragem, ciência e solidariedade.















