3ª Edição

3ª edição Fundo para a Conservação dos Oceanos | Oceanário de Lisboa e Fundação Oceano Azul

O Oceanário de Lisboa e a Fundação Oceano Azul apresentam 3ª edição do FUNDO para a Conservação dos Oceanos. Sob o tema "Invertebrados marinhos. Proteger no mar, o futuro da Terra.", esta edição conta com uma cotação de 150 mil euros e vai apoiar projetos que contribuem para a conservação de espécies de invertebrados marinhos.

Estima-se que cerca de 97% do número total de espécies de animais atualmente existentes na Terra sejam invertebrados. Contudo, calcula-se que apenas 10% destas espécies são conhecidas.
Os invertebrados formam populações-chave em todos os ecossistemas do planeta, particularmente nos ecossistemas marinhos. No entanto, apesar do esforço na conservação ser cada vez maior, ainda há grandes lacunas no que diz respeito ao conhecimento e conservação deste grupo tão vasto de espécies marinhas, que se encontram muitas delas ameaçadas pela pesca e exploração excessiva, destruição de habitats, alterações climáticas, poluição, entre outras.

A 3ª edição do FUNDO para a Conservação dos Oceanos pretende premiar projetos que contribuam para a conservação de espécies de invertebrados marinhos.

No dia 13 de novembro anunciamos os vencedores do Fundo para a Conservação dos Oceanos.

Apresentação

Regulamento

Conheça os projetos vencedores da 3ª Edição:

The Selvagens' LImpet Project

Valor de financiamento: 33.525.00€

A lapa das ilhas Selvagens, Patella candei, é um dos invertebrados marinhos mais ameaçado do Atlântico Nordeste. Estes organismos herbívoros são fundamentais no controlo do coberto de algas.
Nas ilhas Selvagens, na zona de entremarés, era comum encontrar-se uma grande abundância de indivíduos desta espécie com grandes dimensões (10–15cm), particularmente na Selvagem Pequena. No entanto, esta espécie de lapa tornou-se rara na sua área de distribuição, ilhas da Macaronésia, devido à sobrepesca. Atualmente, está considerada quase extinta, nas ilhas das Canárias e a sua abundância, nas ilhas Selvagens, diminuiu drasticamente.


Este projeto pretende desenvolver estudos genéticos que permitam responder às seguintes questões: é a lapa, Patella candei, endémica das ilhas Selvagens ou é geneticamente a mesma espécie existente nas ilhas Canárias, cuja população está circunscrita a Tenerife e praticamente extinta?

Esta clarificação genética será útil na definição de um estatuto de conservação para a espécie nas ilhas Selvagens e de medidas de conservação efetivas.


Instituições envolvidas: Universidade Lusófona (coordenação); Museu de História Natural do Funchal; Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve e Instituto Português de Malacologia

COACH

Valor de financiamento: 56.775.00€

O berbigão, Cerastoderma edule, é um bivalve que ocorre em sistemas marinhos semi-abrigados ao longo da costa nordeste do oceano Atlântico. Esta espécie desempenha um papel crucial no ecossistema, sendo um elo importante entre cadeias alimentares e são ainda responsáveis por vários serviços ecossistémicos, como o armazenamento de carbono.
Em várias regiões, é uma espécie intensivamente explorada com alto valor económico.
Na Ria de Aveiro, a apanha de berbigão é tradicionalmente realizada por profissionais licenciados.
Para muitas famílias, esta atividade é mesmo a principal fonte de rendimento pelo que representa uma importante questão socioeconómica para esta região. No entanto, a viabilidade desta atividade, a longo prazo, poderá estar em causa. Na última década, têm vindo a ocorrer episódios de mortalidade em massa com crescente frequência e intensidade e com consequentes efeitos severos na população deste bivalve. Fatores como doenças emergentes, sobrepesca, gestão ineficiente e degradação das condições ambientais têm sido apontados como as principais causas do declínio da população de berbigão, o que tem levado a elevados impactos económicos e ecológicos.

Os objetivos específicos deste projeto são: avaliar o desempenho e aptidão da população de berbigão, através da determinação da sua distribuição, abundância, dinâmica e saúde reprodutiva; identificar as principais causas para o seu declínio e/ou sucesso; estimar a distribuição potencial da população de berbigão na Ria de Aveiro e prever tendências futuras sob diferentes cenários; promover o desenvolvimento sustentável da apanha de berbigão e a consequente melhoria dos serviços económicos, sociais e ambientais para a região, através da fundação de uma cooperativa de mariscadores de berbigão.

Instituições envolvidas: Universidade de Aveiro/CESAM

DEEPbaseline

Valor de financiamento: 59.700.00€

As esponjas e os corais são invertebrados que formam habitats estruturantes, como “jardins”, agregações e recifes. Estes habitats, em Portugal, são particularmente predominantes em zonas profundas, e desempenham papeis fundamentais no equilíbrio dos ecossistemas marinhos, como a reciclagem dos principais nutrientes, a provisão de habitat, formarem zonas de maternidade e áreas de alimentação para muitas outras espécies. A fragilidade destes habitats e exposição a impactos causados pela pesca, exploração petrolífera e alterações climáticas, levou a que fossem reconhecidos como Ecossistemas Marinhos Vulneráveis.
No entanto, por serem habitats de profundidade, sabe-se pouco sobre a sua distribuição e fatores que determinam a sua ocorrência.

O principal objetivo deste projeto é desenvolver um mecanismo para a cocriação de uma base de conhecimento sobre a diversidade de esponjas e corais, e dos ecossistemas vulneráveis por eles formados, em zonas entre os 20 e 750 metros de profundidade.
O DEEPbaseline reunirá a comunidade científica, comunidades piscatórias locais, associações e gestores de pesca na partilha de conhecimento para promover ações sustentáveis de conservação e gestão destas espécies e habitats.

Instituições envolvidas: CIIMAR (coordenação); IPMA; Universidade dos Açores